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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Bemônio / SANTO (2013)


FAIXAS:

01- Benedito (5:13)
02- Edwiges (2:14)
03- Lázaro (2:38)
04- Agostinho (3:48)
05- Bento (5:30)
06- Anastacia (5:17)
07- Vicente (3:20)
08- José (4:40)
09- Lucas (2:06)
10- Paulo (3:41)
11- Veridiana (7:11)
12- Aparecida (4:07)
13- Pedro (5:15)
14-Francisco (4:26)

INTEGRANTES:

PAVLO CAETANO: Teclados / Sintetizadores / Wall of Sounds / Guru Espectral / Sombra Fora do Tempo.

GUSTAVO MATTOS: Bateria / Percursionista da Corte de Azatoth / Conclamador da Rebelião Mística.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS DA VENERÁVEL GANGUE DE PSICOPATAS LISTADA ABAIXO:

GABRIEL MENEZES: Guitarra em "Edwiges"
DANIEL DEVELLY: Trompete em "Lázaros" e "Anastácia"
PAVLO FIORATTI: Vocal em "Agostinho"
PAVLO ROBERTO: Vocal em "Vicente"
ZÉ FELIPE: Guitarra em "Paulo"
MARCELO RODRIGUES: Guitarra em "Veridiana"
BESTA: Música base em "Aparecida"
DEDO: Áudio base em "Pedro"

BERROS EM FRANCISCO POR:

BARBARA KAWKA / ADRIANO ANDRADE / RENAN SALABERGA / ALEXANDRE DUQUE


Ó IRMÃOS, AJOELHESSEM E SE PROSTEM EM DESESPERO! Para quem não conhece, apesar deles já terem sido comentados neste blog, uma rápida apresentação: Bemônio é um duo carioca destinado a ser a banda mais fodida que o Brasil já gerou, Bemônio é também uma religião e um culto encabeçado por dois flagelos renegados pela sociedade, Bemonio é aquilo que você não quer ver quando se olha no espelho, aquilo que você esconde até de si mesmo! Em suma, é fodido, é para poucos, é para os fortes. E se mesmo isso não basta, saiba que no seu novo lançamento “SANTO”, Bemônio virou um ensemble sombrio, pois nele se reuniu toda súcia de psicopatas e sociopatas prontos para odiarem o universo e acabar com qualquer resquício de felicidade no seu dia!

Quatorze faixas, todas com nomes de santos originários da cristandade. São os santos católicos vistos do ponto de vista de Roderick Usher e Lady Madeleine em companhia de Frei Dolcino de Novara e Margherita de Trento presos num campo de concentração intergaláctico invocando Azatoth ao passo que T.S. Eliot se comunica mentalmente com eles diretamente da Terra Devastada e sob as bênçãos e auspícios de Deus e o Diabo na terra do sol lhes manda as orientações corretas! SIM! EU VIM PARA DESTRUIR ESSE PLANETA PEQUENO E POBRE, ESSA RAÇA MISERAVEL, PERVERSA HUMANIDADE! Dark-Punk, raw Black metal, exercícios diabólicos de drone doom e vai tomar no cu quem ainda liga para uma bosta como Sunn O))) nessa porra! O álbum tem uma atmosfera realmente tétrica! No geral SANTO pode ser definido como uma alquimia estarrecedora entre os momentos mais oceânicos de EXECUTION GROUND do Painkiller, com espasmos cadavéricos de pós-punk e black metal, somado ao occult rock do Aluk Todolo, e eu também vi Shub Niggurath ali! Tudo isto torna obrigatória à audição, não só deste álbum, como de tudo que essa banda fez, realmente os caras tem a minha aprovação e só lamento não ter podido gravar urros sepulcrais para esse álbum, mas, paciência, fica para uma próxima oportunidade.

Recomendo que o álbum seja ouvido em condições especiais, eu fiz o seguinte: Peguei trechos dos diálogos esotéricos de Platão; do Corpus Hermeticum; dos Vedas, Puranas e Upanishads; textos da tradição sufi; o Bardo Thödol; o Zohar e o Talmud; Plotino; Jacob Böhme; Lambsprinck; Martineau, Robert Fludd; Mestre Eckart; Llull; Swedemborg; Blake; os textos de cátaros e dolcinianos;  imprimi e colei nas paredes do meu quarto para que tais paginas sacras LESSEM a minha alma, em seguida fechei as cortinas e acendi uma vela em homenagem a Messire Woland no que fui visitado por Kot Behemoth, Koroviev, Azzazello e a formissima Hella e só daí coloquei o álbum para tocar, enquanto jogávamos cartas e apreciávamos o sabor sem igual do porco salgado em uma dimensão ignota cujo nome e localização cósmica manterei em segredo. Só faço uma ressalva visto que foi dito que nenhum católico poderia se curvar diante deste álbum, bom e cá estou eu o cristão mais atípico deste mundo. Em minha opinião, Bemônio deveria ser uma obrigação na catequese deste modo teríamos um cristianismo bem mais ascético e sério, no modelo medieval, o que seria muito bem vindo ao mundo de hoje.



Por fim, friso que é muito importante que nós entusiastas da verdadeira musica experimental, dada a qualidade que o Bemônio apresenta paremos imediatamente com o papo de “melhor banda brasileira”, isso deprecia. Oras, o duo prova álbum a álbum que em muito transcendeu esse rótulo e esta em pé de igualdade com qualquer ente do submundo europeu ou americano, assim sendo devemos colocar as coisas no seu devido lugar: É fato que hoje o mesmo olimpo da danação sonora onde se encontram coisas como Aluk Todolo, Blvt Avs Nord, Shub Niggurath, Khanate, Burning Witch, Saturnalia Temple , ganhou um novo e estarrecedor membro que atende pela alcunha de Bemônio.

OUÇA O ÁLBUM NA INTEGRA AQUIhttp://bemonio.bandcamp.com/

terça-feira, 30 de julho de 2013

Sleep: Teologia Stoner


Banda: Sleep
Pais de Origem: EUA
Subgênero: Stonerzão

Para o Sleep bastou baixo, guitarra e bateria para criar uma excelente banda. Ok, muitas coisas colaboraram para a alquimia sair do jeito correto, fatores como uma vida inteira ouvindo os três primeiros álbuns do Black Sabbath, uma fixação doentia por equipamentos de estúdio  instrumentos e amplificadores oriundos dos anos 70. Tudo para parecer o mais retrôzão possível. Isso é o Sleep cujos os álbuns Volume 1 e Sleep's Holy Mounatin, são considerados um dos maiores álbuns da história do gênero. Mesmo assim os caras queriam mais... As harmonias mega saturadas do baixo de Cisneros somado aos seus vocais sempre distantes como numa reza sônica a fixação por peso de Matt Mike nas guitarras e o ódio desferido por Haikus em cada rufadas nos pratos da bateria talvez fosse o suficiente mas ainda faltava na visão desses músicos um elemento final e este seria o seu terceiro álbum no qual o Sleep vira mártir e depois lenda. mítico Dopesmoker pretendia ser o álbum mais ambicioso da banda. É para o Stoner Rock o signo equivalente ao Jesus Cristo crucificado para redimir nossos pecados um evangelho incontestável e a sagração absoluta de Deus na terra. Lá atras o Black Sabbath começou alguma coisa muito legal no universo, disso eu não tenho dúvida mas todo ciclo tem um fim e o fim chegou indubitavelmente com DOPESMOKER do Sleep. Os elementos consagrados é claro que estavam lá mas algo, uma coisa muito, muito profunda tinha acontecido, parecia que a medida que Dopesmoker avançava nas suas gravações nuvens iam se formando no céu e uma nuvem de fumaça cada vez mais densa impregnava os estúdios da banda.A epifania se manifestou no ano do Senhor de 1995 e surgiu com solenidade.

Dopesmoker na verdade não era o nome de um álbum sendo em verdade o nome de uma MÚSICA, sim... Uma música... Uma faixa colossal de 60 minutos, e nada mais. Uma hora do stoner mais filhdodaputa e torturante que o mundo já presenciou com ampliadores totalmente estourados e os vocais mais agônicos que se imaginar possa. O Black Sabbath virou uma religião extremamente sádica com esse álbum e claro a gravadora não quis lançar visto que era impossível vender um álbum daquele jeito. Dopesmoker custou o fim da banda e sequer foi lançado na época  Ah Sleep que banda genial vocês foram! Até hoje não sei se o álbum foi para tirar um sarro da gravadora ou se os caras realmente acharam que uma insanidade dessas ia funcionar numa major fonográfica mas é um lance fabuloso com toda a certeza. Das cinzas de Dopesmoker e do Sleep surgiu o Funeral Doom Metal que até hoje não conseguiu fazer nem 10% da obra deles mas isso é só parte do legado deles. Finalmente em 2003 uma gravadora de porte bem menor do que aquela em que o álbum incomerciável seria lançado originalmente topou lançar a versão integral com 60 minutos de duração assim completando a discografia do Sleep para o resto do mundo e os sacralizando a banda.







Drop out of life with bong in hand 
Follow the smoke to-uh the riff-filled land
Drop…out of life with bong in hand
Follow the smoke to-uh the riff-filled land
Proceeds the Weedian - Nazareth
Proceeds the Weedian - Nazareth
Creedsmen roll out across the dying dawn
Sacred Holy Mountain Zion
Sun beams down on to the Sandsean reigns
Caravan migrates through deep sandscape
Lungsmen unearth the creed of Hasheeshian
Procession of the Weed-Priests to cross the sands
Desert Legion Smoke-Covenant is complete
Herb bails retied on to backs of beasts
Arise arise arise - The Son of the God of Israel
Jordan River flows on evermore
Bathe in glow of sunlight's beating rays
They feel so lost and burned through our days
Stoner caravan emerge from sandsea
Earthling inserts to chalice the green cutchie
Groundation soul finds trust upon smoking hose
Assembled creedsmen rises prayer-filled smoke
Raise up seer's Holy Prophecy
……………………………………. now feeds ????????
Seed of Eden fall on…………………..????????
Onward caravan prepare new road


Weed-Priests ………?? Smol-tent ??………… the right ?????
Judgement soon come to Mankind
Green Herbsmen serve rightful king
Hemp seed caravan carries
The molten fire flowed up to-uh Zion
Flight of the Nazarene to seek the Cheribum
Rides out believer with the spliff aflame
Marijuanaut escapes earth to cultivate
Grow-Room is church temple of the new stoner breed
Chants Loud-Robed priest down on to the freedom seed
Burnt offering redeems - completes smoked deliverance
Caravans' stoned deliverance
The caravan holds to Eastern Creed - Now smokes believer !
The Chronicle of the Sensimillian
Drop out of life with bong in hand 
Follow the smoke to-uh the riff-filled land
Drop out of life with bong in hand 
Follow-the-smoke-Jerusalem!

domingo, 28 de julho de 2013

French Black Metal / Parte III: Aluk Todolo


"Die Erde aber war wüst und leer. FINSTERNIS lag über dem Abgrund"
(A Terra estava desolada e vazia. A ESCURIDÃO cobria o abismo.)

GENESIS
Capitulo I / Versiculo II

Banda: Aluk Todolo 
GêneroDark Ambient / Occult Rock / Black Magic Summoning / Goth Rock / Krautrock
Período de Atividade: 2004 / Atualmente


O sumo sacerdote esta posicionado em seu trono, não existe pelo nenhum em seu corpo, seus olhos são amarelos como o azeite de oliva e sua pele negra como a mais profana das noites. A lua se posiciona imponente no céu, começa o ritual, pigmeus se entrelaçam e reverenciam em horror sagrado a eleita para o sacrifício aos deuses, esta se contorce em jubilo demoníaco possuída por íncubos das profundezas, seus olhos se reviram nas órbitas galáxias mentais se destroem em segundos, e sua consciência sucumbi diante de tamanha irradiação de poder, o altar esta preparado, ó poderosa dança, percursionistas convertidos em anunciadores do destino final da carne humana os pés descalços postos na areia a selva a norte, o oceano transfinito ao sul, as estrelas ausentes do céu, acendem a fogueira, mutilam sua carne e queimam seus ossos ó Deuses ja não basta de sangue derramado nesta noite para vos acalmarO sumo sacerdote se levanta e lança um sorriso tartárico a seus fieis e de sua boca morada dos mais ancestrais vermes que se imaginar possa saíram as palavras 'tudo esta terminado'.

Este pequeno fragmento foi escrito por mim enquanto ouvia Disease que é das músicas da banda. O porque o fiz não saberia explicar mas de antemão eu vos digo que discorrer sobre o Aluk Todolo a mais tétrica formação do Black Metal Frances é algo muito difícil num estado de consciência sem alterações externas pois novamente o espectro de Lovecraft ronda este artigo visto que para entender o Aluk Todolo eu precisaria enlouquecer e mesmo isto não bastaria pois o longo e doloroso regresso depois da loucura seria necessário para vos iluminar e isto é algo que eu creio não ser capaz de conjurar. Humildemente reconheço que com essa banda tudo que posso fazer é especular pois não me foi dada a dádiva (ou a maldição) de estabelecer o contato com as entidades que regem o bramir sinistro que emana desta formação então o meu logus permanece no mais insondável breu. O que significam as músicas? Qual o sentido delas? Teria alguma mensagem por trás  Tudo é suposição pura e absoluta pois a banda em si simplesmente nunca se pronunciou sobre nada, os próprios músicos se colocam de um jeito como se fossem apenas um mero canal para que as composições possam surgir no mundo. Aluk Todolo é a neblina que se instaurou na Terra antes da criação do mundo, como diz no versículo de Genesis citado na epigrafe  portanto não é exagero dizer que a banda surgiu no minimo 10 minutos antes do próprio tempo e que Obedience, faixa de abertura do primeiro CD da banda foi efetivamente o som da criação.

Aluk Todolo é palavra oriunda da religião Toraja Indonésia e significa literalmente "Caminho para a vida", tal culto predica que se pode ressuscitar os mortos e que eles caminham entre os vivos. Ninguém cita explicitamente zumbis, mas é só somar um mais um. Apesar do islamismo ser a religião dominante na Indonésia, o culto Toraja permanece vivo entre alguns aldeões de planícies mais isoladas. Porra, eu sinceramente não quero nem imaginar o que é um culto Toraja numa ALDEIA da INDONÉSIA, que predica TRAZER OS MORTOS DE VOLTA A VIDA. No mínimo é um negócio muito atroz e talvez por isso mesmo tenha sido a inspiração para três franceses, que segundo especulam por ai, são praticantes de magia negra e gravam seus discos numa caverna (pelo menos o primeiro, Descencion, é quase certeza que gravaram numa caverna durante uma possível sessão de culto Toraja) trazerem tal atrocidade para o mundo. Totalmente instrumental isso ajuda bastante a aniquilar e muito a cabeça do ouvinte mediano de Black Metal. A banda é uma entidade caótica que não se comunica somente fala apenas por emanações cósmicas. Tirando um zumbi que aparece em uma faixa do EP Ordre e um outro que surge do nada na faixa de encerramento de Descencion, intitulada Disease, não existe palavra alguma em toda a discografia da banda. Encartes dos discos, apenas preto, eu já tive a oportunidade de ver, alguns símbolos esotéricos, outros relacionados ao toraja, alguma coisa de Aleister Crowley e nada mais. Mesmo ao vivo, visto que a banda ja fez varias e varias turnes o troço continua totalmente indistinto e austero: Lampada de 220 watts idêntica a que você tem no teu quarto colocada em frente a bateria, o símbolo da banda ao fundo e já era sendo difícil até ver a cara dos músicos. 


Julian Cope um dos poucos especialistas em música que eu respeito, definiu a sonoridade deles como "O som da fuga de um Gulag numa glacial noite de inverno siberiano". É uma ótima definição e acrescento a ela que toda vez que eu ouço certas passagens me vem a mente o cultro haitiano dos sacerdotes do Vudu e talvez isto explique o fragmento do inicio deste artigo ter sido escrito por mim. Muita gente por ai gosta de dizer que os músicos da banda são extremamente limitados mas isso é a mais pura inverdade que já inventaram. Em verdade vos digo que os músicos são de primeiro escalão. Porem na execução da nebulosa de trevas que são as músicas, as linhas metódicas e hipnotizantes podem dar a impressão que a banda simplesmente não sai do lugar. Mas oras, isso é maravilhoso, a exploração milimétrica de um tema de desdobrando ad eternum, quem precisa de mais alguma coisa?

Descencion (2007) e Finsternis (2009), são excessivamente espartanos e sua hipnose ambiente pode e vai causar estranhamento em muita gente. Mesmo assim é no decisivo Occult Rock (2012) que a banda atingiu o nêmesis da formula que eles mesmos criaram. Este lançamento é um álbum épico com quase 80 minutos de duração de bateria sempre contida e compassada como se fosse um drum machine remetendo muito aos alemães setentistas, as oscilações de guitarra e de baixo são monstruosamente góticas e em alguns pontos meio punks mas dificilmente alguém vai perceber isso envolto nas sombras. Não é atoa que Occult Rock é considerado o melhor álbum deles e facil um dos melhores álbuns dos últimos vinte anos para mim. 


Não tenho mais nada a explanar é Neu! meets Khanate jammin' with Yog Sothoth at the ruins of the unknown Kadath. A formação se tornou a minha favorita em qualquer gênero e são raros os dias que passo sem ouvir. Muitas bandas conseguem passar raiva em sua música outras até ódio e algumas ódio frio e calculado mas só o Aluk Todolo logrou a unidade que gera a disciplina, que gera o poder, poder este que é a razão da própria vida.








segunda-feira, 22 de julho de 2013

Electric Wizard: Sacerdotes Stoner-Doom de Albion


Banda: Electric Wizard
Pais de Origem: Inglaterra
Subgênero: Mystic Doom-Stoner Rock
Período em Atividade: 1993 / Atualmente




Desde a sua popularização na década de 80 os até então obscuros escritos do anglo-americano Howard Philips Lovecraft chamam cada vez mais e mais a atenção tanto da cultura popular, tanto dos meios acadêmicos  Passadas décadas da sua morte fisica o escritor continua a ser o maior enigma dentro de um universo todo composto por sombras alem da própria humanidade intransponíveis ali na curvatura das dimensões onde o próprio espaço e tempo encontram o seu fim. Dito isto lhes apresento uma das bandas mais Lovecrafitianas que se tem noticia os inclitos da formação de Stoner Doom Metal inglesa Electric Wizard. Mas antes de falar neles uma coisa interessante seria observar que de forma alguma eu me considero rocker, acho inclusive uma baita merdice porem mais merda ainda é quem se considera e não conhece uma banda da classe do quilate e distinção que emana de um colosso sonoro como é o Electric Wizard. Porra, o bosteiro do bar rock tradicional, aquelas minas vestindo jaqueta de couro parecendo piranha, aqueles índios metal usando L'oreal em casa pra ficar com o cabelo lisão e o que estão ouvindo? O AC/DC? O Metallica? PORRA, VÃO CAGAR! TEM QUE VIR UM CATÓLICO FASCISTA GIBELINO QUE CAGA PARA O ROCK COMO PILAR DE SOCIALIZAÇÃO DAR O PAPO PROS ROCKEIROS? Isso é uma vergonha, isso me deixa puto, Electric Wizard hoje em dia deveria ser das bandas mais populares e queridas entre o publico rocker e esses fihosdaputa insistem em ouvir medalhão anos 80! Ok, que se lasquem vocês então, fiquem ai com suas piranhas e com suas chapinhas. Aqui no NIGHT COLLECTORS geral vai conhecer o esquema ínclito enquanto os 'roqueiros' vão ficar ai balançando cabeça, enriquecendo marca de shampoo e comprando camisetas de bandas merdas.



Rockão seminal, pesadão, digamos que uma nave espacial saiu partindo do planeta Terra rumo a Saturno com três caras e uma mina louca que só levaram tres coisas na bagagem: Os três primeiros discos do Black Sabbath e chegando em Saturno, good trip nos anéis do corpo celeste glacial, sabbazão no som interestelar, amplificadores valvulados e ligados no máximo, distorções cavalares, peso descomunal, vocais agônicos e aquela característica fodida do doomzão metal: Ser sempre lento, e lento até quando é rápido  Coisa estranha de dizer mas garanto, é assim mesmo. Voltando da viagem a Saturno, a banda agora esta nas paisagens inglesas, se metem a gurus de ocultismo, filmes trashs, bruxaria e ponto. Conceitualmente são maravilhosos, esteticamente é muito divertido, claro que é uma merda quando começam a levar a sério mas e dai? E é engraçado, os fãs levam a sério quando a banda fala que é ocultista e satanista, sendo que os próprios falam isso brincando e sorrindo até... Um disco deles tem um Satan fumando maconha na porra da capa, mas não é tudo um 'ocultismo sério'. Fã é um ser cretino mesmo uma banda como o Electric Wizard só é legal exatamente pela dose de sátira que permeia a conceituação deles, se acaso se levassem a sério, seria um desastre. Se você esta entediado e procura rock de verdade para curtir um drink no inferno enquanto fica vendo cadeira voando na porra do lugar (nada é mais sublime num bar do que cadeira voando :HOLY:), mano mal encarado, bagaceira noturna, traçar o pentagrama com pólvora no chão vestindo uma capa de cetim tosca e acender o esquema se sentindo o fodão necromante (HAHAHA, PQP!) eis aqui a via dos eleitos.







sábado, 20 de julho de 2013

French Black Metal / Parte II: Deathspell Omega


"Pois bem, que assim seja! Que minha guerra contra o homem se ternize, já que cada um de nos reconhece no outro sua própria degradação... Já que somos ambos inimigos mortais. Quer eu deva conseguir uma vitória desastrosa ou sucumbir, o combate será belo; eu, sozinho contra a humanidade"

Conde de Lautreamont
Os Cantos de Maldoror

Banda: Deathspell Omega

Genero: Black Metal / Death Metal / Brutal Prog / Hate Music

Período de Atividade: 1998 / Atualmente


Formada no fim dos anos 90, oriundos da cidade de Poitiers o Deathspell Omega é a mais sólida e talvez a banda mais cavalar de toda a história do Black Metal. Musicalmente não existe muito o que dizer sobre eles: Imagine os blastebeats mais cavalares que se possa imaginar, uma excelência vocal que vai desde o tradicional gutural do estilo até vocais limpos, imponentes e majestosos. A qualidade instrumental não existe em nenhuma outra banda do gênero a banda consegue juntar influencias totalmente diversas do Black Metal norueguês, momentos  ambients, Doom Metal e pasme até momentos um tanto progressivos e jazzistas, embora sempre prontos para a guerra, sob uma pesada roupagem de metal extremo. Sem palhaçada, por favor, eu não estou falando de Symphonic Black Metal tipo Dimmu Borgir ou um Satyricon. Deathspell Omega é tão genial que conseguiu até pegar um elemento básico dessa lama em pelo menos um álbum teu e consertar: "Si Monumentum" possui corais... Gravações de corais ortodoxos das igrejas gregas e russas! Porra eu bati na mesa de emoção ao ouvir isso, juro, foi algo absolutamente imprescindível. Si Monumentum é realmente um álbum triste, genuinamente triste, Fas-ite tétrico e macabro e Paracletus intenso como se as estrelas estivessem se apagando no céu em uma velocidade inconcebivel. E friso que ainda existem os EPs monsrtuosos tais como Kenose e as gigantescas gigantescas faixas sempre na casa dos 20 minutos cada uma como "Mass Grave Aesthetics", "Chaining the katechon" e "Diabolus Abscontidus", todos musicalmente no mesmo nível de excelência.

Filosoficamente é a banda mais rebuscada que o Black Metal já conheceu. Como disse na introdução ao Black Metal Frances que escrevi na semana passada as bandas de black metal da França possuem essa estranha característica que remete Satan de John Milton: Para ter sentido depende justamente do cristianismo. E é no Deathspell Omega que esse dado cala mais fundo. Dito isto, se foi a febre que ocasionou os sonhos em Walter Gilman ou os sonhos que ocasionaram a febre, isso já não tem mais a menor importância  Na parte ideológica eu realmente não me identifico com essa banda, mas sei reconhecer o valor de um bom argumento quando o vejo pelo frente, e no que se refere a isso a banda é impecável  Auto-denominados como Satanistas Ortodoxos, é claro que falamos linguagens diferentes porem só de ver alguém abordando um universo tão surrado como o satanismo com grandes méritos intelectuais já é o suficiente para ao menos chamar minha atenção. Referencias a autores e filósofos malditos estão por toda parte, a fantasmagoria gótica e o surrealismo também. Peguemos por exemplo a maior referencia intelectual da banda, o surrealista francês Georges Bataille, figura emblemática no niilismo pós moderno, Bataille procurou na afirmação do individuo uma salvação para a prisão dos tempos modernos. E sua busca o conduziu pelos meandros obscuros da psicanalise e da literatura maldita. Pelas obras deste pensador, principalmente o seu celebre "A Literatura e o Mal" diversas influencias literárias de nomes como Emily Brontë, Baudelaire, Jules Michelet, William Blake, Sade, Proust, Kafka e Jean Genet se fazem presentes na banda. A literatura para Bataille "É comunicação, impõe uma lealdade, uma moral rigorosa.


Nada traduz melhor a banda do que esta rígida disciplina somada a necessidade de expressar uma mensagem até então escondida. Outras influencias da banda incluem o exegese bíblico, visto que são abundantes as passagens da tradução latina de São Jeronimo a celebre Vulgata encontradas nas músicas. Acenos gnósticos estão presentes no seu EP de nome "Kenose", cujo significado em grego antigo remete ao "esvaziamento divino" e foi uma doutrina do cristianismo primitivo apoiada por muitos autores gnósticos que predicava que uma vez que Jesus Cristo viveu entre os homens ele se 'esvaziou de sua energia divina' para lograr tal existência. Para alguns o exemplo do esvaziamento de Cristo se manifesta ao tirar de nossos corações tudo aquilo que nos prende ao mundo material (kenosis)". Por incrível que possa ser afirmar isso ao apoiar essas teorias o Deathspell Omega auto-proclamado satanista fica muito próximo do gnosticismo dos primeiros cristãos da era apostólica que viviam a kenose de auto-esvaziamento pois entendiam que a principal verdade por trás deste conceito é a ideia de abandonar um estilo de vida egocêntrico para adotar um estilo de vida altruísta. É fato então que sem o cristianismo o Deathspell Omega não iria se sustentar filosoficamente e esse deve ser o maior dilema do mundo para os satanistas porque por rebuscados que sejam seus argumentos e vigorosas aparentem ser as suas motivações eles nunca conseguem ir alem de uma simples inversão sem nunca criar ou mesmo destruir como faz o ateísmo restando apenas a possibilidade de reverter um odiado mas necessário inimigo.
Na sua estupenda trilogia que contem os álbuns "Si Monumentum Requires, Circumspice", "Fas-ite Maledecti In Ignem Aeternum" e "Paracletus" a banda explorou esse tema da metafisica do dualismo com vigor: Cada lançamento da trilogia representou um ente primordial, respectivamente: Deus, Satan e o ser humano dividido eternamente entre esses dois. Para a banda Deus é um ser em permanente exílio desde o momento da criação do universo, pois para faze-lo se desprendeu de grande parte de seu poder original, sendo um ser não onipotente como acreditam os crentes tradicionais, mas que apenas pode influenciar até certo ponto os acontecimentos, não podendo nem evita-los, nem modifica-los. Satan é a contraparte que age diretamente no mundo dos homens, uma vez que Deus permanece no exílio da sua infinita mente prostrada entre o espaço e tempo, Satan o 'outro deus', o das coisas possíveis age neste mundo pois invariavelmente, uma vez que o ser humano tende sempre ao mal, e Deus já não tem mais o poder para intervir nisso, é consequência direta que o mundo se torne cada vez mais degradado. Cabe ao ser humano como ponto de equilíbrio entre essas duas forças primordiais decidir o seu caminho: Almejar a santidade junto a Deus e resgata-lo do seu exílio ou o reino das possibilidades da vida terrena ao lado de Satan. Todavia a Trilogia encerra com o tétrico alerta a uma terceira possibilidade que ocasionalmente surge entre esses dois caminhos: O materialismo e a descrença. Nesses casos satanistas e cristãos convergem drasticamente pois o que é dito de maneira poética e trágica nos últimos versos da faixa de encerramento de Paracletus poderia ser dito por qualquer católico que se preze acerca da descrença absoluta:

"Vós procurastes a potencia, clamou por justiça, esplendor, vós procurastes por amor! Todavia eis sua falha, eis o poço, eis o seu poço, cujo nome... É silêncio."

E assim tudo se encerra. Toda a filosofia da banda pode ser resumida em um gritante manifesto contra a mediocridade da era moderna e este é evidentemente um mal estar compartilhado também por muitos cristãos que não se renderam a Pós-Modernidade. Por isso coloquei a famosa sátira de Lautreamont como epigrafe neste artigo, não sabemos o quanto de humor negro existe na banda mas uma coisa é bastante clara: Todo e qualquer insatisfeito com o mundo tem mais a ver com outros insatisfeitos do que com seres resignados, "eu sozinho contra a humanidade" é um grito de revolta para legiões e não um mero grito individual. Pode parecer que a parte musical neste artigo ficou suprimida mas foi necessário ainda que se trate de uma das bandas mais musicalmente formidáveis da atualidade e seja altamente recomendável. É irônica a conclusão que tiro de tudo isso mas não é exagero dizer que quando Satan se vê refletido em um espelho ele só consegue ver a imagem de Deus fato o qual comprovei empiricamente justamente quando ouvir Deathspell Omega.