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domingo, 28 de julho de 2013

French Black Metal / Parte III: Aluk Todolo


"Die Erde aber war wüst und leer. FINSTERNIS lag über dem Abgrund"
(A Terra estava desolada e vazia. A ESCURIDÃO cobria o abismo.)

GENESIS
Capitulo I / Versiculo II

Banda: Aluk Todolo 
GêneroDark Ambient / Occult Rock / Black Magic Summoning / Goth Rock / Krautrock
Período de Atividade: 2004 / Atualmente


O sumo sacerdote esta posicionado em seu trono, não existe pelo nenhum em seu corpo, seus olhos são amarelos como o azeite de oliva e sua pele negra como a mais profana das noites. A lua se posiciona imponente no céu, começa o ritual, pigmeus se entrelaçam e reverenciam em horror sagrado a eleita para o sacrifício aos deuses, esta se contorce em jubilo demoníaco possuída por íncubos das profundezas, seus olhos se reviram nas órbitas galáxias mentais se destroem em segundos, e sua consciência sucumbi diante de tamanha irradiação de poder, o altar esta preparado, ó poderosa dança, percursionistas convertidos em anunciadores do destino final da carne humana os pés descalços postos na areia a selva a norte, o oceano transfinito ao sul, as estrelas ausentes do céu, acendem a fogueira, mutilam sua carne e queimam seus ossos ó Deuses ja não basta de sangue derramado nesta noite para vos acalmarO sumo sacerdote se levanta e lança um sorriso tartárico a seus fieis e de sua boca morada dos mais ancestrais vermes que se imaginar possa saíram as palavras 'tudo esta terminado'.

Este pequeno fragmento foi escrito por mim enquanto ouvia Disease que é das músicas da banda. O porque o fiz não saberia explicar mas de antemão eu vos digo que discorrer sobre o Aluk Todolo a mais tétrica formação do Black Metal Frances é algo muito difícil num estado de consciência sem alterações externas pois novamente o espectro de Lovecraft ronda este artigo visto que para entender o Aluk Todolo eu precisaria enlouquecer e mesmo isto não bastaria pois o longo e doloroso regresso depois da loucura seria necessário para vos iluminar e isto é algo que eu creio não ser capaz de conjurar. Humildemente reconheço que com essa banda tudo que posso fazer é especular pois não me foi dada a dádiva (ou a maldição) de estabelecer o contato com as entidades que regem o bramir sinistro que emana desta formação então o meu logus permanece no mais insondável breu. O que significam as músicas? Qual o sentido delas? Teria alguma mensagem por trás  Tudo é suposição pura e absoluta pois a banda em si simplesmente nunca se pronunciou sobre nada, os próprios músicos se colocam de um jeito como se fossem apenas um mero canal para que as composições possam surgir no mundo. Aluk Todolo é a neblina que se instaurou na Terra antes da criação do mundo, como diz no versículo de Genesis citado na epigrafe  portanto não é exagero dizer que a banda surgiu no minimo 10 minutos antes do próprio tempo e que Obedience, faixa de abertura do primeiro CD da banda foi efetivamente o som da criação.

Aluk Todolo é palavra oriunda da religião Toraja Indonésia e significa literalmente "Caminho para a vida", tal culto predica que se pode ressuscitar os mortos e que eles caminham entre os vivos. Ninguém cita explicitamente zumbis, mas é só somar um mais um. Apesar do islamismo ser a religião dominante na Indonésia, o culto Toraja permanece vivo entre alguns aldeões de planícies mais isoladas. Porra, eu sinceramente não quero nem imaginar o que é um culto Toraja numa ALDEIA da INDONÉSIA, que predica TRAZER OS MORTOS DE VOLTA A VIDA. No mínimo é um negócio muito atroz e talvez por isso mesmo tenha sido a inspiração para três franceses, que segundo especulam por ai, são praticantes de magia negra e gravam seus discos numa caverna (pelo menos o primeiro, Descencion, é quase certeza que gravaram numa caverna durante uma possível sessão de culto Toraja) trazerem tal atrocidade para o mundo. Totalmente instrumental isso ajuda bastante a aniquilar e muito a cabeça do ouvinte mediano de Black Metal. A banda é uma entidade caótica que não se comunica somente fala apenas por emanações cósmicas. Tirando um zumbi que aparece em uma faixa do EP Ordre e um outro que surge do nada na faixa de encerramento de Descencion, intitulada Disease, não existe palavra alguma em toda a discografia da banda. Encartes dos discos, apenas preto, eu já tive a oportunidade de ver, alguns símbolos esotéricos, outros relacionados ao toraja, alguma coisa de Aleister Crowley e nada mais. Mesmo ao vivo, visto que a banda ja fez varias e varias turnes o troço continua totalmente indistinto e austero: Lampada de 220 watts idêntica a que você tem no teu quarto colocada em frente a bateria, o símbolo da banda ao fundo e já era sendo difícil até ver a cara dos músicos. 


Julian Cope um dos poucos especialistas em música que eu respeito, definiu a sonoridade deles como "O som da fuga de um Gulag numa glacial noite de inverno siberiano". É uma ótima definição e acrescento a ela que toda vez que eu ouço certas passagens me vem a mente o cultro haitiano dos sacerdotes do Vudu e talvez isto explique o fragmento do inicio deste artigo ter sido escrito por mim. Muita gente por ai gosta de dizer que os músicos da banda são extremamente limitados mas isso é a mais pura inverdade que já inventaram. Em verdade vos digo que os músicos são de primeiro escalão. Porem na execução da nebulosa de trevas que são as músicas, as linhas metódicas e hipnotizantes podem dar a impressão que a banda simplesmente não sai do lugar. Mas oras, isso é maravilhoso, a exploração milimétrica de um tema de desdobrando ad eternum, quem precisa de mais alguma coisa?

Descencion (2007) e Finsternis (2009), são excessivamente espartanos e sua hipnose ambiente pode e vai causar estranhamento em muita gente. Mesmo assim é no decisivo Occult Rock (2012) que a banda atingiu o nêmesis da formula que eles mesmos criaram. Este lançamento é um álbum épico com quase 80 minutos de duração de bateria sempre contida e compassada como se fosse um drum machine remetendo muito aos alemães setentistas, as oscilações de guitarra e de baixo são monstruosamente góticas e em alguns pontos meio punks mas dificilmente alguém vai perceber isso envolto nas sombras. Não é atoa que Occult Rock é considerado o melhor álbum deles e facil um dos melhores álbuns dos últimos vinte anos para mim. 


Não tenho mais nada a explanar é Neu! meets Khanate jammin' with Yog Sothoth at the ruins of the unknown Kadath. A formação se tornou a minha favorita em qualquer gênero e são raros os dias que passo sem ouvir. Muitas bandas conseguem passar raiva em sua música outras até ódio e algumas ódio frio e calculado mas só o Aluk Todolo logrou a unidade que gera a disciplina, que gera o poder, poder este que é a razão da própria vida.








sexta-feira, 12 de julho de 2013

French Black Metal / Parte I: Blvt Avs Nord


"Eu sou o a morte, o grande destruidor dos mundos, e vim aqui para destruir todas essas pessoas. Executando vós, aqui, todos os soldados de ambos os lados serão mortos."

Bhagavad-Gitta
Capitulo XI / Verso 32


Banda: Blut Aus Nord
Gênero: Post-Black Metal, Industrial.
Período de Atividade: 1994 / Atualmente.

INTEGRANTES:

Vindsval: Vocal, Guitarra, Programação.
W.D. Feld: Bateria, dispositivos eletrônicos, Teclados
GhÖst: Baixo, Guitarra.

Imaginem o bramir sinistro d'uma siderúrgica envolta em brumas de resíduos industriais; a zona interdita de Stalker percorrida por legiões de espectros avantesmicos; a aura tenebrosa de hereges cataros em projeção holográfica pairando entre hordas de demônios alados, the great beast... RA-HOOR KHUIT MPH ARSL GAIOL RAAGIOSL BATAIVAH BAPHOMET OIP TEAA PDOCE AEDLEPRNA HERU-RA-HAHA OI OI OI IAO KYRIE ABRASAX, QEALHMA ANKH-AF,NA-KHNSU BAHLASTI MEITHRAS, FINIS GLORIAE MUNDI! BAD TRIP, PARANÓIA VIIIIISÕÕÕES FUNÉÉÉREAS, ACENOS ALUCINOGENOS DE KENNETH ANGER  DESAGUANDO EM TERRIVEL KATATONIA! É exatamente isso que encontramos em forma do incomparável Blut Aus Nord (BAN).


"Blut Aus Nord é um conceito artístico. Nós não sentimos a necessidade de pertencer a essa ou aquela categoria já existente. Mas se Black Metal for entendido como um sentimento subversivo e não somente como mera base ou estilo musical, então Blut Aus Nord muito provavelmente é Black Metal. Porem, se isso apenas servir para sermos comparados com qualquer um desses infantis palhaços satanistas, então, por favor, nos deixe trabalhar fora deste patético circo. Nos temos uma arte diversa dessas bandas medíocres e de sua intenção de recompor uma música que há dez anos alguém já fez de uma maneira melhor."


Assim define o próprio Vindsval o que é a banda. A afirmação acima resume não só a postura deles, mas de todo mundo que se pretende sério no Black Metal. Não adianta mais pensarmos em fazer em pleno 2013 xerox aos borbotões de Freezing Moon, ou dos discos do Mayhem. É preciso decifrar os caminhos e trilhar por eles. E nisso o BAN é realmente uma banda diversificada, tanto que as vezes comete cagadas sérias, mas pelo menos eles estão totalmente entregues ao objetivo de experimentar e evoluir um estilo que a grande maioria ainda considera mega limitado exatamente pela fama de cabeça dura que tem os fãs desse estilo. Obras primas como "The Mystical Beast of Rebellion", "The Work Which Transforms God", "MoRT", os dois primeiros álbuns da trilogia 777 e os Eps da série "Liber", o fabuloso “Odinist” e também Ep "Thematic Emanation" são obras obrigatórias para qualquer um interessado em black metal e nos seus desdobramentos mais variados.

Musicalmente esses caras conseguem transitar tanto pelos blastbeats industrias a velocidade da luz, tanto quanto na vertente de morte agônica, ou apocalipse em câmera lenta. BAN reconhece a derrota do gênero humano e faz disso a sua glória. O ser humano e sua eterna busca pelo misticismo, pela razão do próprio ser, é o objetivo primário da banda. Sua atmosfera frente ao armageddon é sempre a de um pesadelo desolador e solene elegia ao fim dos tempos. No céu da banda esta sempre brilhando o sol negro da eternidade, cujas reminiscências se dissolvem nos miasmáticos contrafortes das ruelas mal iluminadas da cidade deserta. Delíquios sinuosos evocam a melancolia evanescente de tempos ancestrais e de um futuro que se revela cada vez mais apavorante, porem inevitável. A eminencia da tragédia é o motor principal que move o BAN em direção a queda. O uso de efeitos eletrônicos e uma produção notadamente futurista afasta muito ouvinte tradicional que claro, só que saber de podreira mas os inteligentes ficam. A banda gradativamente tem abandonado o black metal e reconheço que eles estão migrando para um futuro incerto, a fusão de rock gótico em câmera lenta extremamente desolador, pode dar frutos excelentes como nas novas faixas que entraram no remaster de Mystical Beast of Rebellion. Blut Aus Nord é o crepúsculo cinzento que leva a noite e desespera os seus pequeninos dias solares. Particularmente, friso que tem muito a ver com a minha personalidade e talvez por isso mesmo, seja a banda que ouça com mais frequência no discorrer da minha vida.











POR: Gabriel Von Kreisler