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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Godflesh: A Paranóia do Cyberhell-Niilista


Banda: Godflesh
Pais de Origem: Inglaterra
Gênero: Paranoic Industrial, hate metal

"O SENHOR ARREPENDEU-SE DE TER CRIADO O HOMEM NA TERRA, E TEVE O CORAÇÃO DILACERADO POR FERINA DOR.

E DISSE: "EXTERMINAREI DA SUPERFICIE DESTA TERRA O HOMEM QUE CRIEI, E COM ELE OS ANIMAIS, OS REPTEIS E AS AVES DOS CÉUS, PORQUE EU ME ARREPENDO DE OS HAVER CRIADO."
GENESIS - 6:1:7

Essa citação deixa bem claro qual é o espirito da banda e o que ela representa. Monstruosidade sonora, ódio industrial do açougueiro de Birmingham que descobriu que deus existe, mas abandonou a gente a própria sorte. Talvez por isso a banda se chame CARNE DE DEUS! Deus se arrependeu da merda que fez. E Justin Broadrick descobriu a terrivel verdade que deus criou o mundo, a humanidade e em seguida simplesmente esqueceu que a gente existe. Isso é muito mais filhodaputa e sádico que o ateismo simples, por isso mais perigoso, por isso criou uma sonoridade tão fodida. Guerra aberta do homem contra deus, a batalha épica das formigas contra o elefante, Godflesh desenrola isso num cenário movido a engrenagens, poluição, degradação urbana, violencia, obscurantismo e prostituição, enfim uma verdadeira sentença de morte ao nosso mundo e um testamento que se um dia for descoberto, só seria lido quando uma civilização mais avançada que a nossa surgir por aqui.
Formada em 1989 pelo até então musico recem saído do grindcore Napalm Death, Justin Broadrick, era de se esperar num primeiro momento que a banda guardasse semelhanças. Não, esquece, definitivamente esquece Napalm Death. Godflesh não tem um pingo de Grindocore, ao contrário é uma banda muito mais lenta, mais pesada e mais tensa na sua mistura entre metal, guitarras pesadas, vocais guturais com baixos borbulhantes e batidas industriais. Basicamente de inicio porque eles simplesmente não acharam nenhum baterista e tiveram que apelar pro robótico Drum Machine. Nenhum acidente poderia ser mais bem vindo a formação dessa banda pois Broadrick é até hoje conhecido como um músicos que melhor soube aproveitar as possibilidades do aparelho tirando dele as batidas mais marciais e severas. 

Caso fosse um baterista real provavelmente a banda perderia metade do impacto.
 Na sua formula o Godflesh é uma espécie de Black Sabbath renascido das cinzas de uma indústria perdido num mundo pós apocalypse nuclear, porem muita gente nem percebe isso porque os climas das músicas são muito diferentes. Embora partilhem de alguns elementos em comum o ponto chave é que o Black Sabbath era uma grande confraria hermética e ocultista, viviam num mundo onde as coisas ainda eram possíveis e Godflesh ao contrário é um mundo onde NADA é possível, é seco, não tem misticismo algum, só restando um retrato dantesco da agonizante realidade na qual vivemos. Sem duvida nenhuma isso é um reflexo da progressiva brutalização do ser humano.Hoje esta mais evidente do que nunca que a náusea só faz aumentar e é claro que já surgiram coisas mais brutais que o Godflesh mas eles permanecem com uma estranha aura de horror sagrado, sublimados com a coroa de terem sido um dos primeiros a perceber em grande escala o nosso derradeiro destino. Nossa perdição é fato e infelizmente o fato é a coisa mais teimosa do mundo visto que uma vez que ele se anuncia, sempre se cumpre.















sexta-feira, 12 de julho de 2013

French Black Metal / Parte I: Blvt Avs Nord


"Eu sou o a morte, o grande destruidor dos mundos, e vim aqui para destruir todas essas pessoas. Executando vós, aqui, todos os soldados de ambos os lados serão mortos."

Bhagavad-Gitta
Capitulo XI / Verso 32


Banda: Blut Aus Nord
Gênero: Post-Black Metal, Industrial.
Período de Atividade: 1994 / Atualmente.

INTEGRANTES:

Vindsval: Vocal, Guitarra, Programação.
W.D. Feld: Bateria, dispositivos eletrônicos, Teclados
GhÖst: Baixo, Guitarra.

Imaginem o bramir sinistro d'uma siderúrgica envolta em brumas de resíduos industriais; a zona interdita de Stalker percorrida por legiões de espectros avantesmicos; a aura tenebrosa de hereges cataros em projeção holográfica pairando entre hordas de demônios alados, the great beast... RA-HOOR KHUIT MPH ARSL GAIOL RAAGIOSL BATAIVAH BAPHOMET OIP TEAA PDOCE AEDLEPRNA HERU-RA-HAHA OI OI OI IAO KYRIE ABRASAX, QEALHMA ANKH-AF,NA-KHNSU BAHLASTI MEITHRAS, FINIS GLORIAE MUNDI! BAD TRIP, PARANÓIA VIIIIISÕÕÕES FUNÉÉÉREAS, ACENOS ALUCINOGENOS DE KENNETH ANGER  DESAGUANDO EM TERRIVEL KATATONIA! É exatamente isso que encontramos em forma do incomparável Blut Aus Nord (BAN).


"Blut Aus Nord é um conceito artístico. Nós não sentimos a necessidade de pertencer a essa ou aquela categoria já existente. Mas se Black Metal for entendido como um sentimento subversivo e não somente como mera base ou estilo musical, então Blut Aus Nord muito provavelmente é Black Metal. Porem, se isso apenas servir para sermos comparados com qualquer um desses infantis palhaços satanistas, então, por favor, nos deixe trabalhar fora deste patético circo. Nos temos uma arte diversa dessas bandas medíocres e de sua intenção de recompor uma música que há dez anos alguém já fez de uma maneira melhor."


Assim define o próprio Vindsval o que é a banda. A afirmação acima resume não só a postura deles, mas de todo mundo que se pretende sério no Black Metal. Não adianta mais pensarmos em fazer em pleno 2013 xerox aos borbotões de Freezing Moon, ou dos discos do Mayhem. É preciso decifrar os caminhos e trilhar por eles. E nisso o BAN é realmente uma banda diversificada, tanto que as vezes comete cagadas sérias, mas pelo menos eles estão totalmente entregues ao objetivo de experimentar e evoluir um estilo que a grande maioria ainda considera mega limitado exatamente pela fama de cabeça dura que tem os fãs desse estilo. Obras primas como "The Mystical Beast of Rebellion", "The Work Which Transforms God", "MoRT", os dois primeiros álbuns da trilogia 777 e os Eps da série "Liber", o fabuloso “Odinist” e também Ep "Thematic Emanation" são obras obrigatórias para qualquer um interessado em black metal e nos seus desdobramentos mais variados.

Musicalmente esses caras conseguem transitar tanto pelos blastbeats industrias a velocidade da luz, tanto quanto na vertente de morte agônica, ou apocalipse em câmera lenta. BAN reconhece a derrota do gênero humano e faz disso a sua glória. O ser humano e sua eterna busca pelo misticismo, pela razão do próprio ser, é o objetivo primário da banda. Sua atmosfera frente ao armageddon é sempre a de um pesadelo desolador e solene elegia ao fim dos tempos. No céu da banda esta sempre brilhando o sol negro da eternidade, cujas reminiscências se dissolvem nos miasmáticos contrafortes das ruelas mal iluminadas da cidade deserta. Delíquios sinuosos evocam a melancolia evanescente de tempos ancestrais e de um futuro que se revela cada vez mais apavorante, porem inevitável. A eminencia da tragédia é o motor principal que move o BAN em direção a queda. O uso de efeitos eletrônicos e uma produção notadamente futurista afasta muito ouvinte tradicional que claro, só que saber de podreira mas os inteligentes ficam. A banda gradativamente tem abandonado o black metal e reconheço que eles estão migrando para um futuro incerto, a fusão de rock gótico em câmera lenta extremamente desolador, pode dar frutos excelentes como nas novas faixas que entraram no remaster de Mystical Beast of Rebellion. Blut Aus Nord é o crepúsculo cinzento que leva a noite e desespera os seus pequeninos dias solares. Particularmente, friso que tem muito a ver com a minha personalidade e talvez por isso mesmo, seja a banda que ouça com mais frequência no discorrer da minha vida.











POR: Gabriel Von Kreisler

Considerações sobre o Black Metal Frances

"CANTEI SOBRE O CAOS E A NOITE ETERNA,
ENSINADO PELA MUSA DIVINA A ME AVENTURAR
NO DECLÍNIO SOMBRIO, E SUBIR PARA 
REASCENDER"

JOHN MILTON / PARAÍSO PERDIDO






Em seu celebre poema épico, o autor inglês John Milton nos trás a queda de Lucifer do paraíso e sua arquitetura do inferno o qual ele usaria para se tornar o príncipe eterno de toda a desolação. Em uma de suas mais celebres passagens, a postada acima, Lucifer ao cair no inferno diz que pelo menos ali seria livre e não um escravo do seu criador primordial e assim declama tais versos e com suas asas gigantescas parte ensandecido em busca da sua vingança contra a humanidade, motivo de toda a divergência celestial. Basicamente esse é o sentimento que permeia toda a essência do avantão BM francês a qual Milton já havia colocado em sua poderosa poesia e que no amanhecer do fim dos tempos que se revelou a era moderna se tornou como muitos outros conhecimentos o combustível para perpetuar o massacre, em especial o massacre francês. Para quem conhece a fundo o ethos da cultura deste pais, não é algo de se espantar tanto, desde o inicio do século XXI a Europa Ocidental vem atravessando uma crise que só faz agravar e fragilizar sua situação no cenário mundial, suas bases espirituais foram totalmente perdidas e o pouco que resta esta sendo dizimado por elementos estranhos a civilização europeia.

Blvt Avs Nord
O declínio conduz ao desespero, que é o cenário perfeito para que a semente do ódio que é a base de tudo no Black Metal possa florescer como se deve. A razão de ter surgido na França e não em outro lugar é que eles souberam captar esse desespero e estão canalizando isso com o darkside da própria tradição da sua nação. Recordem-se sempre que não existe pais da Europa ocidental com maior vastidão hermética que eles, é oriundo de lá o satanismo de Baudelarie e a marginalidade boemia do Simbolismo como um todo, o decadentismo, o anarquismo de Proudhon e Tailhade, o Teatro da Crueldade de Antonin Artaud, isso sem contar a vasta tradição do pais em alquimia. O próprio Cristianismo francês é cravejado de sombras por todos os lados pois o Palais de Papes construído a mando do Rei da França para sequestrar o papado mais corrupto da história para beneficio próprio ainda esta lá, imponente para quem quiser ver na sinistríssima cidade de Avignon. Friso também que foi lá que múltiplas heresias fervilharam durante toda a idade média, sendo o exemplo mais latente, os Cataros. É óbvio que mais dia menos dia isso iria vir a tona e que quando viesse não iria vir para brincar. Finalmente veio, e implodiu no underground musical da França num momento de intensa crise que castiga a Europa e assim aos poucos a França um pais até então ignorado se tornou o grande bastião da moralidade do Black Metal.

Deathspell Omega
Na época corrente podemos facilmente dizer que as bandas da cena não só evoluíram a proposta original como a ampliaram e em ultima instancia tornaram totalmente obsoleto, mera poeira no vento tudo que precedeu a revolução perpetuada pelo French Black Metal. Tudo que falta no estilo original, sobra na maioria das bandas desse pais: Onde havia rawzeira deliberadamente tosca, existe agora uma execução impecável, músicos de primeiro time se prestando  a tornar um estilo realmente aterrador, onde havia barulho, agora existe peso, real peso, distorções, reviravoltas, verdadeiros ciclones de caos na aurora de tempos infernais, um testemunho ocular da degradação de nossos tempos e por fim, onde só havia blasfêmia tola, finalmente deram um tratamento a nivel teológico e metafisico a tópicos já surrados e mutilados de todas as formas possíveis tais como o Satanismo e o Hermetismo, que também passou por uma verdadeira reciclagem espiritual nas mãos das bandas francesas.

Aluk Todolo
Assim sendo, esse novo Black Metal conseguiu algo que até então eu achava impossível vendo o cirquinho que o estilo havia se tornado: Apesar de ser claramente um fruto do ódio e do niilismo da modernidade movido por sede de vingança e ódio imensurável, tal como o messias Lúcifer de Milton o Black Metal Frances tem demonstrado ainda que não totalmente consciente dos seus próprios atos ter a coragem necessária para pegar no martelo e como um juiz severo condenar a morte a o mundo moderno e suas maledicências. Talvez por essa razão um tradicionalista com acentuado traço cristão como eu possa tranquilamente sentar aqui hoje e resenhar algumas das bandas mais malditas do universo tais como Blut Aud Nord, Deathspell Omega e Aluk Todolo sem nada a temer. Uma vez que elas condenam a mediocridade moderna e eu também, estamos razoavelmente próximos. Por fim, basta me recordar do tom cristão esotérico da obra de Milton para descrever Satan e seu périplo sobre a Terra para entender que tais contrastes sinalizam um cenário teológico muito mais vasto e complexo que os velhos antagonismos entre Deus e o Diabo. Dito isso, podemos ir as bandas...


POR: Gabriel Von Kreisler.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Heldon: A Maquina Cibernética do Estado Totalitário Intergalático



Banda: Heldon
Genero: Zeuhl / Eletronic / Musica Cibernética Fascista
Periodo em Atividade: 1974/1979 (revival tosco em 1998, nem levem em consideração)

Integrantes:

Richard Pinhas / Guitarra, Moog, Polymoog, Dispositivos Eletronicos
Patrick Gauthier /Mini-Moog, Piano, Polymoog, Teclados 
Francois Auger / Percurssão
Didier Batard / Baixo
Jannik Top / Baixo
Didier Badez / Sequenciador


O Heldon assim como ocorre com o King Crimson no qual se inspirou, é na verdade é a encarnação das ideias musicais de um guitarrista, o francês Richard Pinhas, refletindo, pois, em suas diferentes fases e formações, aos interesses de seu mentor. O som da banda inicialmente se caracteriza por tapetes eletrônicos minimalistas e hipnóticos, no esteio do trabalho de Fripp/Eno em No Pussyfooting (1973), do seminal Kluster e dos primeiros discos do Tangerine Dream. Predominam, pois, guitarras 'tratadas' por uma infinidade de dispositivos eletrônicos, bem como por texturas ambient noise geradas a partir de moogs, sintetizadores VCS3 e ARP. Em 1976, contudo, Pinhas opera uma guinada significativa, tornando o som de sua banda mais ameaçador, claustrofobico e pesado. O primeiro exemplar dessa metamorfose é a monumental Perspective IV, épico que encerra Heldon IV: Agneta Nilsson. Não obstante, a transformação se faria completa com o álbum Heldon V: Un Reve Sans Conséquence Spéciale, e no primorosos Interface (1978) e Stand By (1979) onde temos uma especie de zeuhl 'crimsoniano' eletronico ultra-agressivo e alienígena fornecendo uma sólida base rí­tmica para Pinhas estremecer o Universo com sua guitarra pervertida por toda sorte de distorções eletrônicas.




Vários integrantes do Magma participaram da banda em diversos momentos de sua discografia, o que enriquece ainda mais o potente legado do Heldon. Notemos que apesar da tendencia socialista do próprio Richard Pinhas, sua música é mister salientar possui uma aura muito mais sádica e fascista do que a da maioria dos conjuntos abertamente fascistas que conheço. É o mesmo caso de John Cage e Glenn Branca quando o primeiro disse ao segundo que sua música era fascista e histérica e o mesmo se ofendeu. Destarte os argumentos ideológicos pendam para um lado a alma acaba por pender para outro totalmente diverso, ainda que as vezes nem os próprios indivíduos reparem nisso. Para nós o que realmente importa é que o conjunto tem em sua carreira alguns dos momentos mais estonteantes do Zeuhl e do rock em geral. Em suma, King Crimson + Tangerine Dream + Cyberspaço + Socialismo Revolucionário + Magma, a luz do titulo em seus grandes momentos é feakout inclemente e majestoso, tal como a Estrela da Morte em forma de música, o Imperador Palpatine conversando com Stalin, tudo na banda conjura totalitarismo sonoro: A guitarra de Pinhas é a dissidência de Winston Smith em 1984, enquanto toda a fuzilaria de percurssões e sinthys é a própria policia do pensamento controlada por O'Brien. Vocês devem compreender, em faixas como Stand By ou a Inalcançavel INTERFACE, 4 + 4 = 5 SE ASSIM O PARTIDO HELDON DESEJAR QUE SEJA!








POR: Gabriel Von Kreisler