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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Bemônio / SANTO (2013)


FAIXAS:

01- Benedito (5:13)
02- Edwiges (2:14)
03- Lázaro (2:38)
04- Agostinho (3:48)
05- Bento (5:30)
06- Anastacia (5:17)
07- Vicente (3:20)
08- José (4:40)
09- Lucas (2:06)
10- Paulo (3:41)
11- Veridiana (7:11)
12- Aparecida (4:07)
13- Pedro (5:15)
14-Francisco (4:26)

INTEGRANTES:

PAVLO CAETANO: Teclados / Sintetizadores / Wall of Sounds / Guru Espectral / Sombra Fora do Tempo.

GUSTAVO MATTOS: Bateria / Percursionista da Corte de Azatoth / Conclamador da Rebelião Mística.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS DA VENERÁVEL GANGUE DE PSICOPATAS LISTADA ABAIXO:

GABRIEL MENEZES: Guitarra em "Edwiges"
DANIEL DEVELLY: Trompete em "Lázaros" e "Anastácia"
PAVLO FIORATTI: Vocal em "Agostinho"
PAVLO ROBERTO: Vocal em "Vicente"
ZÉ FELIPE: Guitarra em "Paulo"
MARCELO RODRIGUES: Guitarra em "Veridiana"
BESTA: Música base em "Aparecida"
DEDO: Áudio base em "Pedro"

BERROS EM FRANCISCO POR:

BARBARA KAWKA / ADRIANO ANDRADE / RENAN SALABERGA / ALEXANDRE DUQUE


Ó IRMÃOS, AJOELHESSEM E SE PROSTEM EM DESESPERO! Para quem não conhece, apesar deles já terem sido comentados neste blog, uma rápida apresentação: Bemônio é um duo carioca destinado a ser a banda mais fodida que o Brasil já gerou, Bemônio é também uma religião e um culto encabeçado por dois flagelos renegados pela sociedade, Bemonio é aquilo que você não quer ver quando se olha no espelho, aquilo que você esconde até de si mesmo! Em suma, é fodido, é para poucos, é para os fortes. E se mesmo isso não basta, saiba que no seu novo lançamento “SANTO”, Bemônio virou um ensemble sombrio, pois nele se reuniu toda súcia de psicopatas e sociopatas prontos para odiarem o universo e acabar com qualquer resquício de felicidade no seu dia!

Quatorze faixas, todas com nomes de santos originários da cristandade. São os santos católicos vistos do ponto de vista de Roderick Usher e Lady Madeleine em companhia de Frei Dolcino de Novara e Margherita de Trento presos num campo de concentração intergaláctico invocando Azatoth ao passo que T.S. Eliot se comunica mentalmente com eles diretamente da Terra Devastada e sob as bênçãos e auspícios de Deus e o Diabo na terra do sol lhes manda as orientações corretas! SIM! EU VIM PARA DESTRUIR ESSE PLANETA PEQUENO E POBRE, ESSA RAÇA MISERAVEL, PERVERSA HUMANIDADE! Dark-Punk, raw Black metal, exercícios diabólicos de drone doom e vai tomar no cu quem ainda liga para uma bosta como Sunn O))) nessa porra! O álbum tem uma atmosfera realmente tétrica! No geral SANTO pode ser definido como uma alquimia estarrecedora entre os momentos mais oceânicos de EXECUTION GROUND do Painkiller, com espasmos cadavéricos de pós-punk e black metal, somado ao occult rock do Aluk Todolo, e eu também vi Shub Niggurath ali! Tudo isto torna obrigatória à audição, não só deste álbum, como de tudo que essa banda fez, realmente os caras tem a minha aprovação e só lamento não ter podido gravar urros sepulcrais para esse álbum, mas, paciência, fica para uma próxima oportunidade.

Recomendo que o álbum seja ouvido em condições especiais, eu fiz o seguinte: Peguei trechos dos diálogos esotéricos de Platão; do Corpus Hermeticum; dos Vedas, Puranas e Upanishads; textos da tradição sufi; o Bardo Thödol; o Zohar e o Talmud; Plotino; Jacob Böhme; Lambsprinck; Martineau, Robert Fludd; Mestre Eckart; Llull; Swedemborg; Blake; os textos de cátaros e dolcinianos;  imprimi e colei nas paredes do meu quarto para que tais paginas sacras LESSEM a minha alma, em seguida fechei as cortinas e acendi uma vela em homenagem a Messire Woland no que fui visitado por Kot Behemoth, Koroviev, Azzazello e a formissima Hella e só daí coloquei o álbum para tocar, enquanto jogávamos cartas e apreciávamos o sabor sem igual do porco salgado em uma dimensão ignota cujo nome e localização cósmica manterei em segredo. Só faço uma ressalva visto que foi dito que nenhum católico poderia se curvar diante deste álbum, bom e cá estou eu o cristão mais atípico deste mundo. Em minha opinião, Bemônio deveria ser uma obrigação na catequese deste modo teríamos um cristianismo bem mais ascético e sério, no modelo medieval, o que seria muito bem vindo ao mundo de hoje.



Por fim, friso que é muito importante que nós entusiastas da verdadeira musica experimental, dada a qualidade que o Bemônio apresenta paremos imediatamente com o papo de “melhor banda brasileira”, isso deprecia. Oras, o duo prova álbum a álbum que em muito transcendeu esse rótulo e esta em pé de igualdade com qualquer ente do submundo europeu ou americano, assim sendo devemos colocar as coisas no seu devido lugar: É fato que hoje o mesmo olimpo da danação sonora onde se encontram coisas como Aluk Todolo, Blvt Avs Nord, Shub Niggurath, Khanate, Burning Witch, Saturnalia Temple , ganhou um novo e estarrecedor membro que atende pela alcunha de Bemônio.

OUÇA O ÁLBUM NA INTEGRA AQUIhttp://bemonio.bandcamp.com/

domingo, 28 de julho de 2013

French Black Metal / Parte III: Aluk Todolo


"Die Erde aber war wüst und leer. FINSTERNIS lag über dem Abgrund"
(A Terra estava desolada e vazia. A ESCURIDÃO cobria o abismo.)

GENESIS
Capitulo I / Versiculo II

Banda: Aluk Todolo 
GêneroDark Ambient / Occult Rock / Black Magic Summoning / Goth Rock / Krautrock
Período de Atividade: 2004 / Atualmente


O sumo sacerdote esta posicionado em seu trono, não existe pelo nenhum em seu corpo, seus olhos são amarelos como o azeite de oliva e sua pele negra como a mais profana das noites. A lua se posiciona imponente no céu, começa o ritual, pigmeus se entrelaçam e reverenciam em horror sagrado a eleita para o sacrifício aos deuses, esta se contorce em jubilo demoníaco possuída por íncubos das profundezas, seus olhos se reviram nas órbitas galáxias mentais se destroem em segundos, e sua consciência sucumbi diante de tamanha irradiação de poder, o altar esta preparado, ó poderosa dança, percursionistas convertidos em anunciadores do destino final da carne humana os pés descalços postos na areia a selva a norte, o oceano transfinito ao sul, as estrelas ausentes do céu, acendem a fogueira, mutilam sua carne e queimam seus ossos ó Deuses ja não basta de sangue derramado nesta noite para vos acalmarO sumo sacerdote se levanta e lança um sorriso tartárico a seus fieis e de sua boca morada dos mais ancestrais vermes que se imaginar possa saíram as palavras 'tudo esta terminado'.

Este pequeno fragmento foi escrito por mim enquanto ouvia Disease que é das músicas da banda. O porque o fiz não saberia explicar mas de antemão eu vos digo que discorrer sobre o Aluk Todolo a mais tétrica formação do Black Metal Frances é algo muito difícil num estado de consciência sem alterações externas pois novamente o espectro de Lovecraft ronda este artigo visto que para entender o Aluk Todolo eu precisaria enlouquecer e mesmo isto não bastaria pois o longo e doloroso regresso depois da loucura seria necessário para vos iluminar e isto é algo que eu creio não ser capaz de conjurar. Humildemente reconheço que com essa banda tudo que posso fazer é especular pois não me foi dada a dádiva (ou a maldição) de estabelecer o contato com as entidades que regem o bramir sinistro que emana desta formação então o meu logus permanece no mais insondável breu. O que significam as músicas? Qual o sentido delas? Teria alguma mensagem por trás  Tudo é suposição pura e absoluta pois a banda em si simplesmente nunca se pronunciou sobre nada, os próprios músicos se colocam de um jeito como se fossem apenas um mero canal para que as composições possam surgir no mundo. Aluk Todolo é a neblina que se instaurou na Terra antes da criação do mundo, como diz no versículo de Genesis citado na epigrafe  portanto não é exagero dizer que a banda surgiu no minimo 10 minutos antes do próprio tempo e que Obedience, faixa de abertura do primeiro CD da banda foi efetivamente o som da criação.

Aluk Todolo é palavra oriunda da religião Toraja Indonésia e significa literalmente "Caminho para a vida", tal culto predica que se pode ressuscitar os mortos e que eles caminham entre os vivos. Ninguém cita explicitamente zumbis, mas é só somar um mais um. Apesar do islamismo ser a religião dominante na Indonésia, o culto Toraja permanece vivo entre alguns aldeões de planícies mais isoladas. Porra, eu sinceramente não quero nem imaginar o que é um culto Toraja numa ALDEIA da INDONÉSIA, que predica TRAZER OS MORTOS DE VOLTA A VIDA. No mínimo é um negócio muito atroz e talvez por isso mesmo tenha sido a inspiração para três franceses, que segundo especulam por ai, são praticantes de magia negra e gravam seus discos numa caverna (pelo menos o primeiro, Descencion, é quase certeza que gravaram numa caverna durante uma possível sessão de culto Toraja) trazerem tal atrocidade para o mundo. Totalmente instrumental isso ajuda bastante a aniquilar e muito a cabeça do ouvinte mediano de Black Metal. A banda é uma entidade caótica que não se comunica somente fala apenas por emanações cósmicas. Tirando um zumbi que aparece em uma faixa do EP Ordre e um outro que surge do nada na faixa de encerramento de Descencion, intitulada Disease, não existe palavra alguma em toda a discografia da banda. Encartes dos discos, apenas preto, eu já tive a oportunidade de ver, alguns símbolos esotéricos, outros relacionados ao toraja, alguma coisa de Aleister Crowley e nada mais. Mesmo ao vivo, visto que a banda ja fez varias e varias turnes o troço continua totalmente indistinto e austero: Lampada de 220 watts idêntica a que você tem no teu quarto colocada em frente a bateria, o símbolo da banda ao fundo e já era sendo difícil até ver a cara dos músicos. 


Julian Cope um dos poucos especialistas em música que eu respeito, definiu a sonoridade deles como "O som da fuga de um Gulag numa glacial noite de inverno siberiano". É uma ótima definição e acrescento a ela que toda vez que eu ouço certas passagens me vem a mente o cultro haitiano dos sacerdotes do Vudu e talvez isto explique o fragmento do inicio deste artigo ter sido escrito por mim. Muita gente por ai gosta de dizer que os músicos da banda são extremamente limitados mas isso é a mais pura inverdade que já inventaram. Em verdade vos digo que os músicos são de primeiro escalão. Porem na execução da nebulosa de trevas que são as músicas, as linhas metódicas e hipnotizantes podem dar a impressão que a banda simplesmente não sai do lugar. Mas oras, isso é maravilhoso, a exploração milimétrica de um tema de desdobrando ad eternum, quem precisa de mais alguma coisa?

Descencion (2007) e Finsternis (2009), são excessivamente espartanos e sua hipnose ambiente pode e vai causar estranhamento em muita gente. Mesmo assim é no decisivo Occult Rock (2012) que a banda atingiu o nêmesis da formula que eles mesmos criaram. Este lançamento é um álbum épico com quase 80 minutos de duração de bateria sempre contida e compassada como se fosse um drum machine remetendo muito aos alemães setentistas, as oscilações de guitarra e de baixo são monstruosamente góticas e em alguns pontos meio punks mas dificilmente alguém vai perceber isso envolto nas sombras. Não é atoa que Occult Rock é considerado o melhor álbum deles e facil um dos melhores álbuns dos últimos vinte anos para mim. 


Não tenho mais nada a explanar é Neu! meets Khanate jammin' with Yog Sothoth at the ruins of the unknown Kadath. A formação se tornou a minha favorita em qualquer gênero e são raros os dias que passo sem ouvir. Muitas bandas conseguem passar raiva em sua música outras até ódio e algumas ódio frio e calculado mas só o Aluk Todolo logrou a unidade que gera a disciplina, que gera o poder, poder este que é a razão da própria vida.








segunda-feira, 22 de julho de 2013

Electric Wizard: Sacerdotes Stoner-Doom de Albion


Banda: Electric Wizard
Pais de Origem: Inglaterra
Subgênero: Mystic Doom-Stoner Rock
Período em Atividade: 1993 / Atualmente




Desde a sua popularização na década de 80 os até então obscuros escritos do anglo-americano Howard Philips Lovecraft chamam cada vez mais e mais a atenção tanto da cultura popular, tanto dos meios acadêmicos  Passadas décadas da sua morte fisica o escritor continua a ser o maior enigma dentro de um universo todo composto por sombras alem da própria humanidade intransponíveis ali na curvatura das dimensões onde o próprio espaço e tempo encontram o seu fim. Dito isto lhes apresento uma das bandas mais Lovecrafitianas que se tem noticia os inclitos da formação de Stoner Doom Metal inglesa Electric Wizard. Mas antes de falar neles uma coisa interessante seria observar que de forma alguma eu me considero rocker, acho inclusive uma baita merdice porem mais merda ainda é quem se considera e não conhece uma banda da classe do quilate e distinção que emana de um colosso sonoro como é o Electric Wizard. Porra, o bosteiro do bar rock tradicional, aquelas minas vestindo jaqueta de couro parecendo piranha, aqueles índios metal usando L'oreal em casa pra ficar com o cabelo lisão e o que estão ouvindo? O AC/DC? O Metallica? PORRA, VÃO CAGAR! TEM QUE VIR UM CATÓLICO FASCISTA GIBELINO QUE CAGA PARA O ROCK COMO PILAR DE SOCIALIZAÇÃO DAR O PAPO PROS ROCKEIROS? Isso é uma vergonha, isso me deixa puto, Electric Wizard hoje em dia deveria ser das bandas mais populares e queridas entre o publico rocker e esses fihosdaputa insistem em ouvir medalhão anos 80! Ok, que se lasquem vocês então, fiquem ai com suas piranhas e com suas chapinhas. Aqui no NIGHT COLLECTORS geral vai conhecer o esquema ínclito enquanto os 'roqueiros' vão ficar ai balançando cabeça, enriquecendo marca de shampoo e comprando camisetas de bandas merdas.



Rockão seminal, pesadão, digamos que uma nave espacial saiu partindo do planeta Terra rumo a Saturno com três caras e uma mina louca que só levaram tres coisas na bagagem: Os três primeiros discos do Black Sabbath e chegando em Saturno, good trip nos anéis do corpo celeste glacial, sabbazão no som interestelar, amplificadores valvulados e ligados no máximo, distorções cavalares, peso descomunal, vocais agônicos e aquela característica fodida do doomzão metal: Ser sempre lento, e lento até quando é rápido  Coisa estranha de dizer mas garanto, é assim mesmo. Voltando da viagem a Saturno, a banda agora esta nas paisagens inglesas, se metem a gurus de ocultismo, filmes trashs, bruxaria e ponto. Conceitualmente são maravilhosos, esteticamente é muito divertido, claro que é uma merda quando começam a levar a sério mas e dai? E é engraçado, os fãs levam a sério quando a banda fala que é ocultista e satanista, sendo que os próprios falam isso brincando e sorrindo até... Um disco deles tem um Satan fumando maconha na porra da capa, mas não é tudo um 'ocultismo sério'. Fã é um ser cretino mesmo uma banda como o Electric Wizard só é legal exatamente pela dose de sátira que permeia a conceituação deles, se acaso se levassem a sério, seria um desastre. Se você esta entediado e procura rock de verdade para curtir um drink no inferno enquanto fica vendo cadeira voando na porra do lugar (nada é mais sublime num bar do que cadeira voando :HOLY:), mano mal encarado, bagaceira noturna, traçar o pentagrama com pólvora no chão vestindo uma capa de cetim tosca e acender o esquema se sentindo o fodão necromante (HAHAHA, PQP!) eis aqui a via dos eleitos.







quarta-feira, 17 de julho de 2013

A FLORESTA DE MIL OLHOS DO SHUB NIGGURATH


Banda: Shub Niggurath

Pais de Origem: França

Subgênero: Zeuhl-Noise-Brutal Prog

Período em Atividade: 1986/1994


"GIREI COM A TERRA EM SEU ALVORECER
QUANDO O CÉU ERA SOMENTE POEIRA DE FOGO;
E VI O BRAMIR SOMBRIO DO UNIVERSO
POR ONDE GIRAM SEM PROPOSITO ALGUM OS PLANETAS
POR ONDE GIRAM NUM TERROR INOMINÁVEL
SEM CONSCIÊNCIA, BRILHO OU MESMO NOME."

H.P. LOVECRAFT / NÊMESIS


Sendo o  Shub Niggurath a própria Nêmesis descrita acima. Aqui iremos falar daquela que é provavelmente a mais bem sucedida fusão da história! A fusão da sonoridade habitual de um Univers Zero ou Art Zoyd com uma guitarra tipicamente noise, teclados inacreditavelmente soturnos e um trombone, que cada vez que surge, mais parece um monstro marinho agonizando, é o suficiente para abalar as bases da Terra. É como se a música presente nesses grupos consagrados do R.I.O tivesse sido colocada em uma usina nuclear, fosse fragmentada e virasse radiação! Executando um segundo disco de estudio bem abaixo dos outros a banda é a detentora do monopólio sobre dois dos álbuns mais extremos da história da música: Les Morts Vont (1986) Vite e Testament (1994), até hoje são álbuns que me intrigam profundamente. Juro que, às vezes, até duvidei da existência deles. Mesmo agora sinto que não compreendo bem eles. A incrível atmosfera de misticismo que emana deles, o clima de ficção cientifica de algumas passagens e principalmente e o fato de ser um opus totalmente atemporal são apenas algumas coisas que me causam espanto. Usando as palavras de Lovecraft, recordo-me daquelas que dizem com muita prioridade e sabedoria o seguinte:


"A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido."

Sendo a banda o próprio medo do desconhecido encarnado. Gosto de ter o controle de tudo, geralmente tudo comigo é muito pensado, muito planejado. Porem há coisas que simplesmente não podem, e nem sequer devem, ser colocadas em situações previamente planejadas. O álbum aqui citado talvez seja o exemplo máximo disso. Seja lá o que for a entidade que atende pelo nome de Les Morts Vont Vite não pode ser controlada, nem por mim nem por você e nem por ninguém! A proposito, e se os OUTER GODS e OLD ONES serem a VERDADEIRA realidade do universo, tendo escolhido um cético como Lovecraft como mensageiro, justamente para que nós pensemos que eles são apenas ficção? Bom depois eu falo sobre isso... No universo da banda ao se adicionar toda sorte de mistérios do subconsciente, o resultado é simplesmente cabalístico. É recomendado sempre ouvir trancado no quarto para assim see you tomorrow, pois a medida que o álbum avança novos e tenebrosos mundos vão se mostrando para o ouvinte.


Friso que o derradeiro disco do Shub Niggurath, Testament também não fica muito atras... É se calhar uma das demonstrações máximas de desumanização na história. Longe de ser teatral ou majestoso o álbum em tela não quer causar medo mas inquietação. Atuando sobre duas bases opostas o trabalho é um testemunho fiel das mazelas da catatonia e o da esquizofrenia. Na sua penumbra a banda se converte em uma sombra fora do tempo e furtivamente furta-lhe a capacidade de pensar, até não haver mais distinção real entre áudio e ouvinte. Decerto alguns dirão que o que aqui se encontra não é música e talvez estejam certos mas quem se importa? Em seus quase 80 minutos de duração esse implacável registro resumiu de maneira magistral a nefasta ocorrência que chama-los de tempo. Cada ruido presente neste álbum é a manifestação real de um tortuoso, inclemente ciclo que se inicia com o tempo, passa brevemente por uma existência miserável e deságua na morte finalmente concluindo de maneira definitiva todas as nossas quimeras e irrealizações as quais os únicos frutos são apenas sementes estereis que jamais irão germinar o nosso incomparável sadismo.



A banda mesmo com um disco de estúdio fraco entre Les Morts e Testament, foi algo inconcebível, surreal e absolutamente necessária para se entender a música extrema de hoje e o grande boom de bandas francesas malditas que apreciamos atualmente talvez não existisse sem a valorosa contribuição desta obscura formação. Shub Niggurath foi um momento de genialidade tão único e raro que provavelmente todos nós estaremos mortos quando outra coisa parecida surgir! Porem mesmo mortos quiça iremos ouvir esse estraçalhante chamado porque por mais que duvidem os céticos quer eles queiram admitir ou não, os mortos caminham depressa e por isso mesmo caminham SEMPRE!